domingo, 6 de junho de 2010
Tenho medo. Assumo fácil, tiro de mim essa preocupação insana de vez, o medo de ter medo. Não é necessário remoer algo que se põe tão singelo a sua frente, esperando uma chance de te dominar, tirar de você o controle que por tanto tempo fora necessário manter com toda a precaução. Arranca de você quase como o bote perfeito de uma naja, te faz trair todos os seus conceitos de uma vez só. É surpreendente o efeito do medo em nós mesmos, algo tão complexo. Se você pensar, é até cômico, ter medo, repugnar algo que nem ao menos pode te fazer mal. Pelo ponto de vista da sensatez, o medo deveria vir perto do final, da ameaça quase concreta do fim da vida. O medo deveria ser algo prudente, algo que possuísse ao menos certa coesão, mas não, tantas coisas sem sentido nos afligem, nos tiram horas de sono, arrancam a nossa sanidade devagar, tantas coisas pelas quais nós não deveríamos demonstrar nenhuma reação parecida. Mas um dia talvez se explique. Enquanto isso, deixo algumas dúvidas, e assumo meu medo com o mesmo orgulho com o qual assumo a minha humanidade.
Dica musical do post: Keeping On Without You - This Providence
